sábado, dezembro 06, 2014
Corrida de Angelina, um momento especial!
Essa prova é um ponto de encontro de amigos que adquirimos ao longo desses anos de corridas, é como uma reunião anual do grupo "Loucos por Corridas" nossa porta de entrada nessa vida de passadas e amizades. Um dos fundadores do grupo, Renato Ventura, é também o organizador da prova, e faz da festa um ambiente inexplicavelmente acolhedor, uma corrida feita por corredor para corredor.
Todo este ambiente, já seria suficiente para tornar esse um momento especial, mas teve mais, afinal não é todo dia que se pode ser corredor, apresentador e pai, tudo isso em menos de 6 horas. Não entendeu, vou explicar:
Depois de um período sabático nas corridas, estou voltando aos poucos e participei dos 5km em Angelina. O ritmo não importava muito, conclui a prova em 28:09, bem diferente de 2011, quando está prova foi a primeira meta definida com a coach Mariana, lá fiz meus primeiros 10km sub-50, com apenas dois meses de treinos orientados. Voltar a correr por lá, me fez lembrar que se um dia eu consegui, posso chegar lá de novo!
Nessa corrida, também participei como apresentador da transmissão ao vivo pelo YouTube do evento. Com a parceria do meu colega de podcast, Enio Augusto e apoio da organização, colocamos o Por Falar em Corrida no ar durante 5:33h diretamente de Angelina para o mundo. Foram mais de 20 entrevistados, entre eles o campeão da prova, um noivo corredor, outro que homenageou o Chaves, a princesa de cidade e Adria Santos, maior medalhista paraolímpica do Brasil, além de outros vários momentos legais. Quem quiser dar uma olhada no que aconteceu nessa que foi a transmissão mais longa de uma corrida de rua no Brasil, basta acessar, www.porfalaremcorrida.com e assistir meu momento "Galvão Bueno Running".
Pra terminar, a magia se completou ao ver a Lya, minha filha indo pela primeira vez para um evento de corrida, com apenas 4 meses. Estou aos poucos aprendendo o sentido de ser pai, tropeços serão inevitáveis, não vejo motivos pra planejar, prever coisas de uma vida que recém começa, mas o caminho que ela vai percorrer para chegar onde quiser terá o meu amor ao esporte como base....o esporte é o meio que posso e quero oferecer a ela para se tornar uma pessoa de bem, feliz e com coragem, capaz de enfrentar as derrotas que a vida vai lhe impor, e nunca desistir! A Corrida de Angelina foi o primeiro de muitos passos, mas nada pode nos parar!
Bom, agora me diz, tenho motivos ou não pra dizer que esse sábado em Angelina foi especial?!
sábado, outubro 04, 2014
Em quem votar?
Como o tema do blog é corrida e seu autor (no caso eu!) é um apaixonado pelo assunto esporte, serei mais específico. Um dos melhores caminhos para se educar é através dessa ferramenta chamada ESPORTE que estimula o respeito a regras, pensamento coletivo, disciplina e determinação na conquista dos objetivos.
terça-feira, setembro 30, 2014
Corrida pela Paz, uma hora o vício volta!
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| Medalha da Corrida pela Paz 2014 |
Tive que recorrer ao meu Garmin Connect para lembrar quando tinha sido minha última corrida. Havia sido em 23/06, isso mesmo, se passaram 3 meses e 5 dias entre o último treino e a Corrida Pela Paz.
Mas não foi a toa. Era um período de transformação. A chegada da minha filha, um novo desafio profissional, rotinas totalmente alteradas, planejar era um tiro no escuro, nunca conseguia saber o que seria da vida na hora seguinte. O jeito foi se jogar na correnteza e seguir o fluxo da vida....mesmo que por algum tempo, as coisas que gosto ficassem de lado. As vezes é necessário, e é mais fácil simplesmente aceitar!
quarta-feira, setembro 24, 2014
Corrida, Imunidade, Bom Humor e o Seu Adenis!
Existe uma grande relação do sistema imunológico com a intensidade de exercício físico realizado. Ao contrário do que se imagina, a imunidade só diminui em relação a população em geral nos atletas moderados, ou que estão na transição para se tornarem atletas com volumes de treinos maiores. Para atletas com volumes e intensidade de treinos mais altas a imunidade em média é maior que a da população em geral.
Mas isso não é tão simples assim, existem cuidados que corredores extremos também devem tomar, principalmente logo após os treinos, quando o organismo encontra-se debilitado pelo exercício. Além é claro da constância nas atividades, pois a melhora do sistema imunológico vem desse treino constante do corpo, e a interrupção acarretará inevitavelmente a redução dos níveis de imunidade.
Pra terminar, tenho um exemplo bem claro disso lá na UFSC, é o Seu Adenis, servidor que administra o bloco 5 da faculdade, um senhor já de certa idade (acima dos 60), Avaiano e "tirador de onda" profissional. Corre todo dia de casa pro trabalho, cerca de 10km por dia, de vez enquando faz um longão. Diz ele que já correu mais de 30 Maratonas, se é verdade ou não, digo depois, mas fato é que na minha primeira maratona ele também correu os 42km, e chegou muito antes de mim, até hoje tenho colega que me lembra disso!
Pois bem, seu Adenis tem uma saúde de ferro, não fica doente nunca, nem resfriado ou uma simples tosse ele contraiu nos últimos anos. Economiza no combustível e ganha imunidade....mas o principal é o bom humor dele, diário e constante, e isso não precisa de pesquisa pra perceber. Baita gente boa!
Correr imuniza e faz sorrir, Seu Adenis é prova disso!
quarta-feira, agosto 20, 2014
Não foi acidente.
Nunca fui ao campus da USP, nem imagino como são as vias utilizadas por corredores e ciclistas paulistas. Talvez por esse mesmo motivo não conhecia nem de nome o Sr. Álvaro Teno e tampouco a Sra. Eloisa Prado, principais vítimas do estúpido crime (#naofoiacidente) cometido no local mais tradicional para treinos de corrida de São Paulo.
Foram 5 atropelados por um idiota bêbado, entre eles Eloisa (43), que teve as pernas completamente quebradas, entre outras fraturas na face e quadril e o Álvaro (67) que faleceu deixando esposa e filhos por causa de uma estupidez.
A proximidade dos fatos, fez muitos corredores sentirem-se ameaçados, coagidos. Não houve corredor que ao saber da notícia não tenha pensado....podia ter sido eu! É claro que a tristeza por saber da perda de uma vida por um ato imbecil entristece quem quer a paz, mas pensar que ainda podemos ter novas vítimas e que essa vítima pode ser um de nós, assusta muito.
Onde treino, aqui no campeche, vivo está sensação de "próxima vítima" desde que comecei. A avenida por onde treino, é avenida só no nome, é uma rua de pista simples e mão dupla, com um agravante, na grande parte do trajeto não existem calçadas, ou seja, a corrida é literalmente na sarjeta.
Pra piorar um pouco mais, o bairro é um dos locais com mais construções em Florianópolis, o que significa que não são apenas carros e ônibus que nos espremem na sarjeta, mas vários caminhões também.
Sempre que eu ou a Juliana, vamos treinar sozinhos, é impossível que o outro não fique preocupado. Falando por mim, nunca fiquei tranquilo. Sempre tomamos cuidados com a segurança: corremos sem fones, na contra mão, com sinalização, mas tudo isso contra um carro descontrolado não é nada, muitas vezes não passa de conforto psicológico para conseguir coragem de encarar a rua.
Como sempre fez nos finais de semana, Luiz Antônio Machado, bebeu todas entrou em seu carro e bêbado saiu por aí tentando matar alguém. Não era a primeira vez que ele colocou a vida de outras pessoas em risco, a diferença é que naquela manhã de domingo ele atingiu seu objetivo, cometeu um crime, um assassinato....porque quem bebe e dirige não causa acidente, comete crime! #naofoiacidente
Quer ajudar acesse o link e assine: www.naofoiacidente.org
Saiba mais: CLIQUE AQUI
terça-feira, abril 08, 2014
Saudades de uma medalha
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| 10 Milhas de Carnaval Rock'n'Roll Nice, na França, A1A Marathon, em Fort Lauderdale, nos EUA, Meia Maratona de Barcelona e Meia Maratona de Austin, nos EUA (Foto Instagram @correrpelomundo) |
Tenho que dizer: Estou com saudade de ganhar uma medalha!
Minha última medalha foi a mais importante de todas, a maratona, mas depois disso hentrei numa longa hibernação. Lesão, cansaço físico e emocional, além é claro de novos caminhos da vida, me levaram a um pequeno intervalo na vida cotidiana das corridas.
Mas não consigo me afastar desse mundo por completo, e a cada post em blogs de corrida, fotos em redes sociais de amigos corredores e notícias das provas, eu fico com aquele gostinho de "queria estar ali, e ganhar minha medalha".
A medalha é o símbolo de nossa conquista. Pra mim sempre será a melhor de todas recordações de uma corrida, até por isso costumo reclamar quando a medalha é menosprezada pelos organizadores. Ela tem que representar a prova, tem que ter peculiaridades que descrevam aquele momento na vida de quem correu pra conquista-la. Medalha é um símbolo, e não pode ser tratada como apenas mais um item do kit, tem que ser especial.
Estou com saudade de participar de uma corrida, seja qual for, estou com saudade dessa sensação de me sentir premiado, estou com saudade de ganhar uma medalha!
terça-feira, abril 01, 2014
Os acertos da maratona.
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| A paciência de tomar um banho e seguir em frente! |
Hora de falar da parte boa. Contar onde acertei durante a minha estreia na maratona.
Em primeiro lugar, tive paciência, soube entender e respeitar meus limites. Acho que isso foi o ponto mais importante durante a minha preparação. Aceitei o desafio de encarar a maratona com uma lesão no joelho, eu precisava treinar e poupar o corpo ao mesmo tempo.
Antes de me machucar, já estava acostumado com paces próximos a 5:00/km, algumas vezes pra mais, outras para menos. Durante o treino para a maratona, eram raras as vezes que o ritmo fugia de 6:00-6:30/km. Tem que ter muita paciência pra correr com freio de mão puxado.
Mas ninguém me tira da cabeça que meu maior acerto, foi a estratégia de tempo, ou melhor, a falta dela. Apesar da tentação, resisti, e não estipulei um tempo para concluir a prova, a meta era concluir a prova, e só!
Quando comecei a sentir as cãibras, lá no km 27, consegui manter a calma e aceitar tranquilamente as caminhadas emergenciais, só pensava em continuar em frente, sem me importar com o ritmo. Psicologicamente consegui me manter forte do início ao fim, e mesmo no momento que o físico não aguentou mais, a cabeça levou o corpo até o fim.
Uma maratona não é um teste físico, ninguém precisa testar o óbvio, por melhor que você corra, vai terminar com dores por todo corpo. A maratona é um teste mental, uma prova psicológica, é como você pensa os 42.195m que fazem a diferença no final. Pense nisso!
segunda-feira, março 31, 2014
Os erros da maratona.
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| Magro, até demais! |
O objetivo foi atingido, cruzei a linha de chegada. Mas fiquei com o sentimento de que tudo poderia ter sido mais fácil se além da disciplina no cumprimento das planilhas, eu tivesse tido a preocupação também com o fortalecimento e principalmente uma nutrição adequada.
No dia da maratona, eu pesava exatos 75kg, 10kg a menos do que 3 meses antes quando comecei o treinamento. No entanto, 7 desses 10kg foram embora somente no último mês de treinos. Tudo perfeito né? Com menos peso, menos impacto no joelho e outras articulações e mais chances de não ter dores na prova, certo? Ledo engano, fui traído pelo óbvio. Emagrecer parecia a melhor opção, mas fiz da maneira errada.
O alto volume de treinos das últimas semanas, e a falta de uma alimentação adequada e fortalecimento da musculatura, me causaram um catabolismo muscular, ou seja, perdi uma boa quantidade de músculo que fez falta durante os 42km.
A partir do km 27, senti cãibras no bíceps femural. Durante a prova não cumpri nenhum plano de hidratação, tomei pouca água até os 20 km, e fui tomar o primeiro gel de carboidrato somente depois de 1:20h. Não planejei nada, e acabei pagando o preço.
Se tivesse procurado uma academia para melhorar a resistência muscular e um(a) nutricionista que me orientasse na alimentação, meu corpo provavelmente teria suportado mais as condições e exigências da prova. Descobri da pior forma que de nada adianta ter um chassi leve se o motor não tiver potência.
Talvez, em distâncias menores, a preparação permita alguns erros sem prejuízo do resultado. Mas uma maratona é concluída nos detalhes, e erros acabam dificultando muito o caminho até a linha de chegada.
segunda-feira, março 24, 2014
De maratonistas a pais, a próxima meta.
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| Eu+Ela=Nós |
Ao cruzarmos a linha de chegada da nossa primeira Maratona, um ciclo de nossas vidas se encerrava. Dois anos antes, a Juliana falava que no máximo correria 10km, não via necessidade de ir mais longe. Pra mim a meia maratona era o máximo onde poderia chegar. Mas correr vicia galera, e só saciamos a vontade quando chegamos neles, nos 42km.
Correr é bom, correr com quem se ama é melhor ainda. E foi essa parceria cercada de endorfina que serviu de base para que pudéssemos ter vontade e garra até o fim.
Mas a vida tem que seguir, e a Maratona foi o ponto de mudança que escolhemos para nossas vidas. Antes mesmo de começar toda essa jornada, já tínhamos decidido que o próximo desafio, a meta após a linha de chegada da maratona, seria a maior de nossas vidas. Depois de maratonistas, queríamos ser PAIS.
O desejo se cumpriu tão rápido quanto uma prova de 5km, e em pouco mais de um mês, a Jú já estava grávida.
Hoje com 22 semanas, vivemos a apreensão e expectativa natural de pais de primeira viagem. Mas é incrível como a experiência que vivemos, nos trouxe lições que se encaixam em vários momentos dessa nova fase. A paciência, a necessidade de se preparar, a disciplina em prol de um objetivo, são ensinamentos que uma maratona traz e nunca mais se apagam.
A corrida continuará nas nossas vidas, e depois de tudo que aprendemos é inevitável acreditar que o esporte é um dos bons caminhos que queremos colocar na vida da nossa filha. Independente de acertos e erros que são comuns a todos país, e não fugiremos a regra, a vontade de servir como exemplo de uma vida saudável e ativa, será nossa meta daqui pra frente.
quarta-feira, janeiro 29, 2014
Atletismo x Academia, Frango e Batata Doce
Como alguns já sabem, no segundo semestre de 2013, cursei a primeira fase do curso de Ed. Fisica na UFSC. A sensação que tive era de finalmente estar estudando algo que gosto, muito das coisas que vi e ouvi nessa primeira fase já fizeram diferença para meu conhecimento sobre o ser humano e a atividade física, e acreditem: isso é muito legal!
Tive a oportunidade de ler diversos artigos científicos sobre os mais variados assuntos relacionados a Ed. Física, muitos assuntos interessantes e diversas curiosidades que pretendo compartilhar aqui no Blog também.
Mas uma das coisas que mais me chamou a atenção, aconteceu logo na primeira semana de aula, mais especificamente na primeira aula da disciplina de Atletismo.
Na apresentação da aula, o professor questionou aos quase 30 alunos (não lembro quantos exatamente!), quem já tinha praticado alguma modalidade do atletismo? Somente 2 alunos se manifestaram. Eu, que comecei a correr depois dos 30a e uma outra aluna que tinha corrido uma prova de pista nas olimpíadas do colégio. Não posso dizer que me surpreendi, nós sabemos que o atletismo nas escolas é praticamente "zero", mas constatar aquilo numa turma de futuros educadores físicos, no mínimo me entristeceu.
Nessa mesma aula, o professor realizou uma atividade onde colocava imagens de atletas campeões de varias modalidades do atletismo, e os grupos deveriam identificar o nome e a modalidade de cada um. Entre as imagens mostradas estavam Mo Farah, campeão olímpico em Londres '12 e esteve em todos noticiários e Marilson Gomes dos Santos, maratonista Brasileiro conhecido de todos nós. Na hora das respostas, ninguém soube dizer quem eram, muito menos qual modalidade praticavam, foi tudo no chute. Só a imagem do Usain Bolt foi reconhecida por todos.
Considerando que é uma turma de Educação Física, eu imaginava que ser informado sobre esportes era natural. Mas não é! O que percebi foi uma grande influência do mundo fitness na galera que tem em média entre 19 e 25 anos. A galera curte Academia, Frango e Batata Doce!
Não tem como negar que é melhor Academia, Frango e Batata Doce do que TV, Bacon e Batata Frita, mas o que me preocupa é que se a maioria se interessa pelo condicionamento físico em academias, quem vai educar esportivamente nosso país? Quem serão os treinadores do nosso Atletismo, por exemplo?
Se numa turma do curso de educação física ninguém tem interesse no atletismo, qual a possibilidade de termos bons treinadores nesse esporte? E se não tivermos treinadores, como teremos bons atletas? Difícil, né?
quarta-feira, janeiro 22, 2014
Porque parei? Como voltarei?
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| Meus últimos passos na maratona, depois disso, parei! |
Os últimos passos até a linha de chegada da maratona, foram meus últimos passos em uma corrida até hoje. Isso mesmo, desde a maratona de SC (29/09/2013) eu não corro. Não fiquei parado, pratiquei alguns esportes na faculdade e recentemente voltei a surfar com frequência, mas corrida, nem pensar!
Para realizar o sonho de correr a maratona, encarei 12 semanas com dores no joelho que aumentavam tanto quanto o volume de treinos. Foi uma luta física e psicológica, tudo girava em torno de contornar o problema no menisco e conseguir chegar no dia da maratona em condições de concluir aqueles 42km.
Sofri, cheguei a chorar em alguns treinos por causa da dor e por não saber se conseguiria, mas não parei, eu queria. A única promessa que me fiz foi que depois da linha de chegada eu teria que voltar a fazer aquilo sem sofrimento. Minha meta pós-maratona era então, correr sem dores e com alegria novamente.
Nas semanas depois da maratona, as dores chegaram ao pico. Não conseguia dobrar o joelho mais de 45º, me agachar, nem pensar. Ir ao médico era inevitável, e fui com a vontade de operar o mais rápido possível, não aguentava mais aquilo.
Porém o médico me recomendou antes de qualquer coisa, paciência. Antes de fazer a artroscopia, o ideal era fazer um tratamento e tentar a reabilitação, pois apesar da ruptura, em muitos casos é possível contornar o problema sem intervenção cirúrgica.
Sai do consultório rumo a uma dose de corticóide e 15 dias depois um tratamento de 20 dias com antiinflamatório. A injenção de corticóide foi a melhor coisa do mundo naquele momento, em uma semana as dores quase nem existiam, parecia milagre.
Mas além do tratamento, a recomendação médica mais dolorida era a pausa com as corridas, mais especificamente, uns 3 meses. Era fundamental acabar com o impacto repetitivo para que pudesse me recuperar. Além disso, antes de voltar, deveria fazer um bom fortalecimento da musculatura de suporte, para evitar que os problemas voltem.
E é nesse estágio de reinício que eu me encontro agora. Aos poucos estou buscando o fortalecimento da musculatura com exercícios funcionais e atividades sem impacto, como natação, bike e na areia da praia.
Não vou mentir, não vejo a hora de voltar a correr longas distâncias, mas a idéia de fazer isso de uma forma diferente e mais consciente é o que mais me motiva nesse momento.
Os desafios são os mesmos, quem vai mudar sou eu!
segunda-feira, janeiro 20, 2014
A primeira planilha.
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| Minha 1ª planilha de corrida que veio na Runner's World. |
Em novembro de 2008 eu recebia a minha primeira revista de corridas. Era a primeira edição da Runner's World Brasil e com ela descobri que existia um mundo a se desvendar nesse esporte.
Foi nessa revista que descobri o que era uma "planilha" e que correr não era só colocar os tênis e sair feito um louco rua a fora até cansar. Sei que é clichê, mas tenho que dizer: A 1ª planilha, a gente nunca esquece!
Lembro que foi difícil começar devagar, apesar de ter condições de correr mais rápido, tentava respeitar o ritmo determinado na planilha, resistia ao tédio mesmo me sentindo uma "tia velha" correndo.
Mas hoje posso afirmar que esse é o maior desafio pra quem começa, saber respeitar o ritmo de treino e não sair pra bater o recorde pessoal toda vez que corre. A evolução nas corridas acontece gradualmente e é importante entender que não é do dia pra noite que se consegue correr com prazer e num bom nível de performance.
No início é chato, cansativo. Dez minutos de corrida parecem duas horas, o ritmo parece que não encaixa, a respiração é ofegante e a sensação de afogamento é quase constante, tudo tende a fazer que você desista. E o pior, não serão apenas 2 semanas de sofrimento, provavelmente você vai se sentir confortável com esse "sofrimento" só depois de 1 mês de muito suar a camiseta.
Confesso que não cumpri 100% da minha primeira planilha, as vezes me soltava pra correr de qualquer jeito, e por isso acabei me lesionando. Mas foi essa planilha que me colocou no mundo das corridas, foi ela que me viciou.
quarta-feira, janeiro 01, 2014
Quero um 2014 mais orgânico.
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| A principal meta de 2013 foi atingida |
Confiando no que tinha sido 2012, tracei 7 metas para 2013 que vocês podem rever nesse Post. Entre essas metas, consegui realizar a principal delas, me tornar um maratonista. Foi bem mais difícil do que eu planejava, mas a missão foi cumprida.
As metas de recordes ficaram bem longe de serem alcançadas, na verdade desde abril quando comecei a sentir as dores no joelho, já sabia que não chegaria nem perto dos meus melhores tempos em qualquer distância que fosse.
Planejei treinar muito, no fim treinei menos.
Para 2014 não vou traçar nenhuma meta além de voltar a correr normalmente, preciso voltar a ver a corrida com menos necessidade de superação e mais diversão. Além disso, tenho provado com o passar dos anos, que toda vez que planejo muito, geralmente tudo acaba acontecendo por caminhos diferentes e inesperados.
Quero um 2014 mais orgânico, com naturalidade e instinto, sem metas quantitativas, focando na qualidade e sabendo aproveitar cada vez mais o processo da conquista e não somente o produto.
Um Feliz 2014 pra todos, sempre curtindo cada km como se fosse o ultimo!
segunda-feira, dezembro 30, 2013
Minha primeira maratona
Finalmente resolvi falar da minha estreia na maratona. Dois motivos me fizeram demorar tanto (3 meses) pra contar como foi, o primeiro foi o dia-a-dia agitado, com aulas na faculdade, trabalhos e provas. O segundo e mais emblemático, é que não encontrei palavras que pudessem descrever o que realmente foi pra mim percorrer aqueles 42.195m, parece clichê, eu sei, mas é verdade, não sabia o que dizer.
Foi um sonho realizado, mas não necessariamente um sonho, o que vivi era realidade nua e crua. Alcançar aquela linha de chegada foi muito além de estrear em uma Maratona. A superação, os treinos, as lesões, momentos de dúvidas e sustos, tudo que aconteceu antes e durante essa jornada, as pessoas que me ajudaram, acompanharam, incentivaram, tudo acabou se tornando uma experiência de vida inigualável.
Pude confirmar com minhas próprias pernas que a melhor parte de uma Maratona não são aqueles 42km que você corre com número no peito e chip no pé, mas toda jornada que passamos para chegar até aquele dia da corrida. Simplesmente mudamos o modo de ver o mundo, tudo fica mais perto, sentimos novas dores, enfrentamos dificuldades como correr no frio as 22:00 enquanto a maior parte da cidade descansa, mas vemos tudo como o caminho da felicidade, de uma forma inexplicávelmente viciante. É antagônico, eu sei, mas a jornada até uma maratona definitivamente não é o lugar onde você encontrará sentido para as coisas.
Durante os 42km que percorri sofridamente em 4h52', passei por diversas experiências que jamais pensei que encontraria numa maratona. Idealizei a prova de um jeito, mas ela aconteceu de uma forma totalmente diferente. Talvez essa expectativa criada, tenha me frustrado um pouco, mas com o passar dos dias depois da prova, me dei conta que justamente no inesperado é que estavam as histórias da minha primeira maratona.
A fita que descolou e incomodou nos primeiros quilômetros, a companhia da Juliana até o km 12, o calor infernal que me desidratou, as cãibras desde o km 27, a ajuda e incentivo dos amigos durante os momentos mais difíceis, a amizade e cumplicidade que surge com aquele corredor que você nunca viu na vida, a contagem regressiva até o final da prova, tudo está gravado na minha história, na minha vida desde o dia 29/09/2013.
Durante os treinos, visualizava a minha chegada na maratona como um momento de muitas lágrimas e emoção, até comemoração coreógrafada eu tinha planejado, mas a realidade foi um pouco diferente. O que senti quando corri aqueles últimos 200m rumo ao portal de chegada, foi uma sensação de alívio, um sentimento de missão cumprida, de superação, além é claro de um cansaço imenso. Não vieram as lágrimas, talvez porque elas tenhas ido embora durante a corrida em forma de suor, mas tudo que senti foi convertido num grito que colocou pra fora tudo que restava de ar nos meus pulmões e serviu como prova da garra que tive pra ultrapassar meus limites e me tornar um maratonista.
Mas a minha maratona só terminou de verdade 2 minutos depois de eu chegar, quando eu estava tirando o chip dos tênis e vi a Juliana chegando, naquele momento sim, tudo estava completo. Se eu me superei, ela se superou em dobro, se eu mereci, ela mereceu infinitamente mais. Ver ela completar a tão sonhada maratona, foi pra mim a coisa mais importante naquele dia.
Tenho muita coisa pra contar sobre a experiência de ter corrido uma maratona. E o blog será certamente o local onde vou compartilhar estas experiências. Mas posso dizer que de nada adianta escutar o que os outros tem pra dizer sobre correr uma maratona. O que ela significa, o que ela te faz sentir, o quanto ela pode te transformar, só vai descobrir quem correr os 42.195m.
quinta-feira, setembro 26, 2013
Uma maratona de emoções e homenagens
Ok, preparem-se, este post está engasgado faz algum tempo, mais precisamente desde que decidi definitivamente que iria correr minha primeira maratona.
Digo engasgado, pois o assunto deste post foi o grande combustível pra encarar a longa e árdua jornada de tentar me tornar um maratonista. Pra entenderem melhor, é sobre o que me fez agarrar com unhas e dentes a chance de encarar os 42.195m no dia 29/09.
A 2 anos atrás, eu perdi uma das pessoas que mais me deu amor em toda minha vida, e que naturalmente me fez ter admiração e um amor recíproco inigualável. Minha Vó Dolores, foi meu maior suporte na construção de quem eu sou hoje. Deixar de tê-la ao meu lado foi a perda de alguém que conhecia minha essência e sempre me ajudava a entender as coisas da vida. Naquela época, cheguei a escrever um post em homenagem a ela [ link para o post ].
Um dos maiores legados que ela deixou em minha vida foi a paixão pelo esporte. Se hoje sou um viciado em esportes, devo muito a tudo que vivi ao lado da minha vó.
Quando comecei a participar de corridas, a 2,5 anos atrás, ligava pra ela pra contar onde eu e a Juliana (de quem ela era fã!) tínhamos corrido. Ela não entendia muito bem, mas ficava feliz de saber que o neto ainda praticava esportes e principalmente por ver a Juliana encarando os mesmos desafios de um marmanjo como eu. Lembro como se fosse hoje ela dizendo: “Garanto que ela chegou na tua frente!”
Em outubro de 2011, ela não resistiu ao 3º tratamento contra o câncer em menos de 10 anos. Nas últimas conversas que tive com ela, já era perceptível a fraqueza psicológica em enfrentar uma doença fdp como essa. Escutei dela mesmo que não aguentava mais as sessões de quimioterapia, mas aceitou encarar mais uma vez pelo simples amor a vida. Ela não queria morrer, e se emocionava ao perceber que não adiantava querer. Quase sempre desligava o telefone de repente como se não quisesse demonstrar a fraqueza que sentia, mas sempre terminava dizendo um “te amo” que me fazia chorar também.
Em Nova York (março de 2012), na noite anterior a nossa estreia na meia maratona, foi inevitável lembrar dela. Junto com a Jú, lembrei como ela ficaria feliz e orgulhosa de nos ver lá, afinal, foi ela que me ensinou a sonhar grande e principalmente correr atrás dos sonhos sempre acreditando que era possível. Foi a primeira grande conquista na minha vida que não pude compartilhar com ela.
O tempo passou, a corrida tornou-se muito mais que um esporte nas nossas vidas, tornou-se um vício, um estilo de vida, talvez até mais, um estado de espírito quem sabe?!
O que tudo isso tem a ver com minha estreia na maratona? Bem, a muito tempo queria homenagear minha vó em uma corrida, mas tinha que ser algo grande, algo no dia certo…isso mesmo, no dia certo. Para vocês entenderem então: dia 29/09 é a data de nascimento da minha vó, o dia do aniversário dela. E minha homenagem/presente será cruzar pela primeira vez a linha de chegada em uma Maratona pensando nela durante 42km.
Vocês não tem ideia de quantas vezes chorei durante os treinamentos pensando na emoção de poder estar com ela no meu coração e lembrança neste momento marcante da minha vida. Naqueles momentos que a perna cansava durante os treinos longos, as lágrimas se misturavam ao suor e era nela que eu buscava forças para seguir em frente. Visualizei inúmeras vezes a imagem da chegada como o ponto em que eu precisava alcançar por ela, pra ela.
Não quis contar pra ninguém sobre essa coincidência de datas entre a maratona e aniversário da minha vó, muito menos sobre minha intenção de realizar essa homenagem, afinal, eu não sabia se conseguiria chegar até aqui. Nem a Jú sabia disso até essa semana.
Mas calma, a história não acaba por aqui…
No início desse ano, mais uma pessoa que eu amava sucumbiu ao câncer. Minha tinha Regina, irmã do meu pai e única filha mulher da minha vó. Minha relação com ela era de muita confidência e amizade. Era uma fotografa realmente Interminável, como ela mesmo gostava de intitular seus trabalhos. Na última semana da sua vida, tive a oportunidade de conversar com ela, e dessa conversa ficou uma frase, uma lição: “Não adianta querer viver a vida que não há pra se viver, o que devemos fazer é aceitar os caminhos e aproveitar cada instante que ele nos proporciona”.
Desde o início desse desafio, escutei milhares de vezes que uma maratona é uma prova dolorida, que após o km 30 começamos a sentir dores em locais que nem sabemos que existe no nosso corpo. Acredito que tudo isso seja verdade, e no meu caso ainda tenho uma dor causada pela ruptura do menisco medial do JE que já vai incomodar desde a largada. Mas quando lembro todo sofrimento que vi minha vó e minha tinha passarem durante os tratamentos contra o câncer, eu penso: “Dor? Que dor?”
Fica difícil reclamar de dores quando a gente presencia o sofrimento de quem se trata contra o câncer. O que são apenas 42km doendo aqui ou ali, perto de uma pessoa que luta contra células estúpidas que querem lhe tirar a vida? A agonia de quem se submete a uma quimio ou radioterapia tentando sobreviver é muito maior que qualquer dor provocada por uma maratona.
Eu sei que vai doer, sei que meu corpo vai sofrer, mas nessa hora, lembrar que aquilo é passageiro vai me confortar, minha vida não acaba ali. Quem sofre com o câncer não tem essa mesma certeza.
Agora vocês conhecem a história que me motivou enfrentar mais de 420km de treinamentos e ir em busca da linha de chegada dessa maratona, homenagear minha vó Dolores pelo seu aniversário, mas também minha tia e as pessoas que sofrem ou sofreram com essa doença desgraçada chamada câncer.
Minha vó me ensinou que a vida são momentos, e que cada momento é único! Por isso eu não queria deixar essa chance de estrear na maratona em uma data tão especial.
Domingo vou correr minha primeira maratona por todas aquelas pessoas que o câncer me tirou. Elas estarão comigo em cada centímetro dos 42.195m, a cada dor vou lembrar do sofrimento delas, e na chegada…. aaah a chegada….essa vou contar na semana que vem o que eu senti.
Minha primeira maratona será dedicada para Dolores, Regina e contra o câncer.
Vídeo que gravei em 2010 na minha passagem por Chicago e enviei pra minha vó ainda em vida. (Editado em 2011 após sua morte.)
segunda-feira, setembro 09, 2013
Estamos juntos nessa
Aos poucos fomos fazendo amigos no meio das corridas e criando cada vez mais motivos para participar de provas. Com o passar do tempo, tornamos essa atmosfera nosso hábitat. Descobrimos como era bom poder competir contra nós mesmos, cada um na sua, mas com um mesmo objetivo, superar-se.Começar a correr foi quase uma decisão em conjunto. No início, ela persistiu mais, o que facilitou muito minha vida quando resolvi começar a participar de corridas também.
Passo a passo, escalamos distâncias, aos poucos tudo ficava mais perto, e nós queríamos ir mais longe. Nasceu naturalmente a vontade de correr uma meia-maratona. Sonhamos alto, e realizamos. Planejamos estreiar nos 21km na cidade dos corredores, na capital mundial do "running": New York City. Treinamos juntos por vários meses, juntos mesmo, era o Projeto Casal 21k. Cruzar aquela linha de chegada foi como tatuar as corridas no nosso espírito.
O ciclo continuou e 21kms encurtaram, então é hora de uma nova tatuagem, de um novo desafio, chegou a vez dos 42km, a vez da Maratona.
O que um dia foi o Projeto Casal 21k, transformou-se naturalmente no Projeto Casal 42k, nossa busca pela primeira maratona.
Nossos sonhos são os mesmo a muito tempo.....a muito tempo realizamos juntos nossos sonhos, a Maratona será mais um!
Estamos juntos, Rumo a 1ª Maratona!
segunda-feira, agosto 26, 2013
O que você faria? [emocionante chegada IM 70.3 Brasil]

O cenário é o seguinte: Você nadou 1,9km, pedalou 90km, correu 21km e a 10 metros da linha de chegada, está em 2º lugar e vê o líder comemorando a vitória sem cruzar a linha de chegada….ele está de costas, e não vê que você vem com todo gás…sua chance de vencer a prova por causa da distração do seu adversário é muito grande….o que você faria?
Igor Amorelli, preferiu deixar a primeira colocação com quem já deveria ter cruzado a linha de chegada se tivesse seguido em seu ritmo normal. Certo ou errado? Faltou competitividade? Sobrou espírito esportivo? Muitas podem ser as opiniões. Mas uma coisa é certa….cenas emocionantes como essa, são exclusividade do esporte.
Eu? Eu teria me atirado pra tentar cruzar em primeiro lugar……mas a diferença é que estou pensando com a cabeça de quem nunca terá a chance de vencer uma corrida. O Igor Amorelli, terá condições de vencer muitas outras durante sua carreira.
Foto: mundotri.com.br
quinta-feira, julho 25, 2013
Esteira nem pensar.
Muito dificilmente vocês vão me ver treinando em uma esteira. Nada contra quem busca o "conforto" de correr entre quatro paredes, mas me orgulho de nunca ter feito um treino de corrida em uma esteira.
Já corri muitas vezes em esteira na época de rato de academia, mas nunca mais do que 30 minutos, isso já foi o suficiente para ter certeza de que é uma das coisas mais chatas que já fiz. É monótono, parece que o tempo não passa, e sinceramente, não é a mesma coisa que sentir o pé empurrando o chão. Na esteira é o chão que empurra o pé.
Ainda prefiro a aventura de sair no frio, encarar o vento e a chuva, me vestir no melhor estilo "Onion Runner". Acho que esse masoquismo não faz só o fôlego e passadas melhorarem, mas treina a alma e espírito também, fortacele a auto-confiança. Isso é importante pra quem tem uma meta, como por exemplo a Maratona.
No treino de ontem, quando encarei por 15km o pior clima até agora nos treinos para Maratona, parei e comprei água no bar de uma academia. Lembrei que naquele mesmo momento tinha muita gente correndo em esteiras, treinando tanto quanto eu, porém secos e com menos frio!
Talvez como uma auto-defesa, minha memória cinematográfica agiu me lembrando da cena de treino do Rocky para a luta contra o soviético Ivan Drago no Rocky IV, onde Rocky treina de forma arcaíca no meio da neve na Sibéria, enquanto Drago é fabricado entre equipamentos modernos e de última geração no melhor centro de treinamento da USRR.
Repito, nada contra quem corre em esteiras, acho que é uma questão de gosto, talvez um dia eu até faço um treino para ratificar minha opinião. Mas ontem eu me senti o Rocky na Sibéria.
quarta-feira, julho 24, 2013
Podia ser pior!
As imagens das "Cordilheiras Palhocenses" servem pra dar uma idéia do frio que se instalou na grande Floripa essa semana.
Mas essa friaca, apesar de nos presentear com belas imagens, é sem dúvida uma sanguessuga de motivação.
Nessas horas de preguiça pra encarar o frio, eu tento lembrar do tempo que ia surfar no Cassino com 2ºC no termômetro da rua. O congelamento começava na hora de tirar a roupa e colocar o long john, a bota de neoprene também era item obrigatório, afinal os pés ficavam a maior parte do tempo dentro d'água.
Furar a primeira onda era outro momento dolorido, chegava a trincar as temporas e as vezes dava até dor de cabeça, sem falar naquela primeira gota que entrava pela nuca e escorria por dentro da roupa de borracha, congelando vértebra a vértebra.
Depois de 30 minutos dentro d'água, os dedos das mãos já não respondiam direito a certos movimentos, e as vezes era preciso colocar a ponta dos dedos debaixo da língua para não congelar de verdade. Tudo isso pra satisfazer a alma pegando uma ou duas ondas.
Sair do mar, secar o corpo, colocar uma roupa e se aquecer com um chimarrão, na maioria das vezes era a melhor parte da jornada.
Quando lembro desse martírio que era surfar no extremo Sul do Brasil, me coloco numa posição desconfortável ao pensar em desistir de encarar um "friozinho" qualquer pra correr.
Correr no frio é infinitamente mais confortável do que surfar em um mar congelante. Palavra de quem já experimentou os dois!
Correr no frio nem é tão ruim assim. Se bem que nunca corri de calção na neve!!!!
quarta-feira, julho 03, 2013
Golden Four Asics POA 2013- 21km pra exorcizar.
Dia frio, úmido, o ingrediente especial foi a neblina que não deixava enxergar 50m à frente. Cenário perfeito para exorcizar tudo de ruim que apareceu nos últimos meses na minha vida, correndo uma meia maratona.
Poderia escrever um dramalhão, uma novela mexicana talvez, contando as coisas por que passei entre a meia de Florianópolis, que aconteceu em Março, e essa Golden 4 Asics. Pessoas que se foram, sonhos interrompidos, dores que vieram, angústia, tensão, desilusão, pensei em parar, mas o vício não deixou, só correr uma meia maratona poderia me salvar. E salvou!
Falar da organização perfeita, e do prazer de correr uma prova de primeira linha como a G4, se tornaria uma redundância chata pra quem conhece a história desse evento. Posso resumir os 21km da Asics, como a melhor corrida, antes, durante e depois de que já participei no Brasil. E só perde pra Meia de NY, porque não tem como comparar 15.000 correndo por NY com 1.200 correndo em Porto Alegre.
Mas se podemos avaliar uma corrida pela transformação que ela nos provoca, ou seja, por tudo o que ela muda no nosso corpo e principalmente na mente entre as linhas de largada e chegada, a G4 foi um marco na minha vida de corredor.
Era inevitável tanta insegurança, desconfiar da minha capacidade era quase uma obrigação, afinal estava sem treinar direito a 3 meses, recuperando de lesão, sem ter noção de até onde poderia ir. Não tinha como pensar que seria tranquilo, tudo indicava que não existia possibilidade alguma de ser fácil.
Por precaução, consultei o regulamento pra saber qual era o tempo limite da prova (3h10') e confirmar em qual km ficava o portal de chegada no retorno (km 14). Sim, a possibilidade de desistir existia!
Aproveitei a companhia da Juliana pra correr a primeira parte da prova sem preocupação nenhuma. Foram 7km de aquecimento e parceria, onde aproveitei também para ver como se comportavam as lesões. Se não fosse ela ser minha "pacer" nesse primeiro 1/3 de prova, talvez eu não tivesse conseguido cumprir a estratégia de fazer uma prova progressiva.
Do 7ºkm em diante, resolvi soltar a corrida, e ir num ritmo bom que mantivesse minha confiança e me desse a possibilidade de chegar num honroso sub-2h.
Quando passei no 14ºkm, me sentia muito bem, cansado obviamente, mas com muita vontade e condição para chegar até o fim. Desde a meia maratona de março, não corria uma distância maior que 14km, mas mesmo assim sabia que aquele era o dia.
Não conhecia o último trecho de corrida, bem diferente dos primeiros 15km, tinha bem menos espaço e pra animar uma subida que fazia qualquer um respirar fundo antes de encarar. Chegava ser engraçado ver os suspiros e sussurros de reclamação dos corredores!
Faltando 1km pra chegada, confesso que lágrimas se misturaram ao suor, a emoção foi inevitável! Me perguntava como eu conseguia? Provei a mim mesmo que não vale a pena desistir quando tudo parece que vai dar errado. Aprendi que não precisa ser perfeito, basta ser nosso!
Talvez nem um recorde pessoal na meia maratona me trouxesse tanta felicidade. O tempo de 1h58'26, tem muito mais coisa por trás, uma história que me deixa muito mais orgulhoso que o 1h43'.
Vibrei muito na chegada. E logo depois de cruzar a linha de chegada, virei em direção ao portal e pensei: "- É isso, o que eu preciso é mais disso, CORRER!"
Depois disso, eu quero como nunca a Maratona, dependo desse vício pra me manter feliz.
VÍDEO DA CHEGADA













