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terça-feira, abril 01, 2014

Os acertos da maratona.

Maratona de Santa Catarina
A paciência de tomar um banho e seguir em frente!

Hora de falar da parte boa. Contar onde acertei durante a minha estreia na maratona.

Em primeiro lugar, tive paciência, soube entender e respeitar meus limites. Acho que isso foi o ponto mais importante durante a minha preparação. Aceitei o desafio de encarar a maratona com uma lesão no joelho, eu precisava treinar e poupar o corpo ao mesmo tempo.

Antes de me machucar, já estava acostumado com paces próximos a 5:00/km, algumas vezes pra mais, outras para menos. Durante o treino para a maratona, eram raras as vezes que o ritmo fugia de 6:00-6:30/km. Tem que ter muita paciência pra correr com freio de mão puxado.

Mas ninguém me tira da cabeça que meu maior acerto, foi a estratégia de tempo, ou melhor, a falta dela. Apesar da tentação, resisti, e não estipulei um tempo para concluir a prova, a meta era concluir a prova, e só!

Quando comecei a sentir as cãibras, lá no km 27, consegui manter a calma e aceitar tranquilamente as caminhadas emergenciais, só pensava em continuar em frente, sem me importar com o ritmo. Psicologicamente consegui me manter forte do início ao fim, e mesmo no momento que o físico não aguentou mais, a cabeça levou o corpo até o fim.

Uma maratona não é um teste físico, ninguém precisa testar o óbvio, por melhor que você corra, vai terminar com dores por todo corpo. A maratona é um teste mental, uma prova psicológica, é como você pensa os 42.195m que fazem a diferença no final. Pense nisso!

 

segunda-feira, março 31, 2014

Os erros da maratona.

Maratona de SC
Magro, até demais!
Sobre os acertos vou falar depois, hoje quero tratar dos erros que cometi na preparação e durante a minha primeira maratona.

O objetivo foi atingido, cruzei a linha de chegada. Mas fiquei com o sentimento de que tudo poderia ter sido mais fácil se além da disciplina no cumprimento das planilhas, eu tivesse tido a preocupação também com o fortalecimento e principalmente uma nutrição adequada.

No dia da maratona, eu pesava exatos 75kg, 10kg a menos do que 3 meses antes quando comecei o treinamento. No entanto, 7 desses 10kg foram embora somente no último mês de treinos. Tudo perfeito né? Com menos peso, menos impacto no joelho e outras articulações e mais chances de não ter dores na prova, certo? Ledo engano, fui traído pelo óbvio. Emagrecer parecia a melhor opção, mas fiz da maneira errada.

O alto volume de treinos das últimas semanas, e a falta de uma alimentação adequada e fortalecimento da musculatura, me causaram um catabolismo muscular, ou seja, perdi uma boa quantidade de músculo que fez falta durante os 42km.

A partir do km 27, senti cãibras no bíceps femural. Durante a prova não cumpri nenhum plano de hidratação, tomei pouca água até os 20 km, e fui tomar o primeiro gel de carboidrato somente depois de 1:20h. Não planejei nada, e acabei pagando o preço.

Se tivesse procurado uma academia para melhorar a resistência muscular e um(a) nutricionista que me orientasse na alimentação, meu corpo provavelmente teria suportado mais as condições e exigências da prova. Descobri da pior forma que de nada adianta ter um chassi leve se o motor não tiver potência.

Talvez, em distâncias menores, a preparação permita alguns erros sem prejuízo do resultado. Mas uma maratona é concluída nos detalhes, e erros acabam dificultando muito o caminho até a linha de chegada.

 

sexta-feira, janeiro 31, 2014

Nossa primeira vez! [Vídeo Maratona de Santa Catarina]

Aí está um míni-vídeo com algumas imagens e nossa chegada na primeira vez em umamaratona.

Reparem no meu estado na chegada. O grito, foi com o que sobrou de fôlego, depois nem força pra ficar em pé eu tinha.

Enquanto isso a Jú cruzou a linha de chegada e continuou correndo! Tava no automático....kkkk

Agradecemos ao amigo, maratonista e cameraman Enio Augusto (Estrupicius Runners) pela paciência de nos esperar para registrar esse momento histórico.

 

quarta-feira, janeiro 22, 2014

Porque parei? Como voltarei?

Chegada da Maratona de SC
Meus últimos passos na maratona, depois disso, parei!

Os últimos passos até a linha de chegada da maratona, foram meus últimos passos em uma corrida até hoje. Isso mesmo, desde a maratona de SC (29/09/2013) eu não corro. Não fiquei parado, pratiquei alguns esportes na faculdade e recentemente voltei a surfar com frequência, mas corrida, nem pensar!

Para realizar o sonho de correr a maratona, encarei 12 semanas com dores no joelho que aumentavam tanto quanto o volume de treinos. Foi uma luta física e psicológica, tudo girava em torno de contornar o problema no menisco e conseguir chegar no dia da maratona em condições de concluir aqueles 42km.

Sofri, cheguei a chorar em alguns treinos por causa da dor e por não saber se conseguiria, mas não parei, eu queria. A única promessa que me fiz foi que depois da linha de chegada eu teria que voltar a fazer aquilo sem sofrimento. Minha meta pós-maratona era então, correr sem dores e com alegria novamente.

Nas semanas depois da maratona, as dores chegaram ao pico. Não conseguia dobrar o joelho mais de 45º, me agachar, nem pensar. Ir ao médico era inevitável, e fui com a vontade de operar o mais rápido possível, não aguentava mais aquilo.

Porém o médico me recomendou antes de qualquer coisa, paciência. Antes de fazer a artroscopia, o ideal era fazer um tratamento e tentar a reabilitação, pois apesar da ruptura, em muitos casos é possível contornar o problema sem intervenção cirúrgica.

Sai do consultório rumo a uma dose de corticóide e 15 dias depois um tratamento de 20 dias com antiinflamatório. A injenção de corticóide foi a melhor coisa do mundo naquele momento, em uma semana as dores quase nem existiam, parecia milagre.

Mas além do tratamento, a recomendação médica mais dolorida era a pausa com as corridas, mais especificamente, uns 3 meses. Era fundamental acabar com o impacto repetitivo para que pudesse me recuperar. Além disso, antes de voltar, deveria fazer um bom fortalecimento da musculatura de suporte, para evitar que os problemas voltem.

E é nesse estágio de reinício que eu me encontro agora. Aos poucos estou buscando o fortalecimento da musculatura com exercícios funcionais e atividades sem impacto, como natação, bike e na areia da praia.

Não vou mentir, não vejo a hora de voltar a correr longas distâncias, mas a idéia de fazer isso de uma forma diferente e mais consciente é o que mais me motiva nesse momento.

Os desafios são os mesmos, quem vai mudar sou eu!

 

segunda-feira, dezembro 30, 2013

Minha primeira maratona

Maratona de Santa Catarina

Finalmente resolvi falar da minha estreia na maratona. Dois motivos me fizeram demorar tanto (3 meses) pra contar como foi, o primeiro foi o dia-a-dia agitado, com aulas na faculdade, trabalhos e provas. O segundo e mais emblemático, é que não encontrei palavras que pudessem descrever o que realmente foi pra mim percorrer aqueles 42.195m, parece clichê, eu sei, mas é verdade, não sabia o que dizer.

Foi um sonho realizado, mas não necessariamente um sonho, o que vivi era realidade nua e crua. Alcançar aquela linha de chegada foi muito além de estrear em uma Maratona. A superação, os treinos, as lesões, momentos de dúvidas e sustos, tudo que aconteceu antes e durante essa jornada, as pessoas que me ajudaram, acompanharam, incentivaram, tudo acabou se tornando uma experiência de vida inigualável.

Pude confirmar com minhas próprias pernas que a melhor parte de uma Maratona não são aqueles 42km que você corre com número no peito e chip no pé, mas toda jornada que passamos para chegar até aquele dia da corrida. Simplesmente mudamos o modo de ver o mundo, tudo fica mais perto, sentimos novas dores, enfrentamos dificuldades como correr no frio as 22:00 enquanto a maior parte da cidade descansa, mas vemos tudo como o caminho da felicidade, de uma forma inexplicávelmente viciante. É antagônico, eu sei, mas a jornada até uma maratona definitivamente não é o lugar onde você encontrará sentido para as coisas.

Durante os 42km que percorri sofridamente em 4h52', passei por diversas experiências que jamais pensei que encontraria numa maratona. Idealizei a prova de um jeito, mas ela aconteceu de uma forma totalmente diferente. Talvez essa expectativa criada, tenha me frustrado um pouco, mas com o passar dos dias depois da prova, me dei conta que justamente no inesperado é que estavam as histórias da minha primeira maratona.

A fita que descolou e incomodou nos primeiros quilômetros, a companhia da Juliana até o km 12, o calor infernal que me desidratou, as cãibras desde o km 27, a ajuda e incentivo dos amigos durante os momentos mais difíceis, a amizade e cumplicidade que surge com aquele corredor que você nunca viu na vida, a contagem regressiva até o final da prova, tudo está gravado na minha história, na minha vida desde o dia 29/09/2013.

Durante os treinos, visualizava a minha chegada na maratona como um momento de muitas lágrimas e emoção, até comemoração coreógrafada eu tinha planejado, mas a realidade foi um pouco diferente. O que senti quando corri aqueles últimos 200m rumo ao portal de chegada, foi uma sensação de alívio, um sentimento de missão cumprida, de superação, além é claro de um cansaço imenso. Não vieram as lágrimas, talvez porque elas tenhas ido embora durante a corrida em forma de suor, mas tudo que senti foi convertido num grito que colocou pra fora tudo que restava de ar nos meus pulmões e serviu como prova da garra que tive pra ultrapassar meus limites e me tornar um maratonista.

Mas a minha maratona só terminou de verdade 2 minutos depois de eu chegar, quando eu estava tirando o chip dos tênis e vi a Juliana chegando, naquele momento sim, tudo estava completo. Se eu me superei, ela se superou em dobro, se eu mereci, ela mereceu infinitamente mais. Ver ela completar a tão sonhada maratona, foi pra mim a coisa mais importante naquele dia.

Tenho muita coisa pra contar sobre a experiência de ter corrido uma maratona. E o blog será certamente o local onde vou compartilhar estas experiências. Mas posso dizer que de nada adianta escutar o que os outros tem pra dizer sobre correr uma maratona. O que ela significa, o que ela te faz sentir, o quanto ela pode te transformar, só vai descobrir quem correr os 42.195m.

 

 

quinta-feira, setembro 26, 2013

Uma maratona de emoções e homenagens

Primeira Maratona

Ok, preparem-se, este post está engasgado faz algum tempo, mais precisamente desde que decidi definitivamente que iria correr minha primeira maratona.

Digo engasgado, pois o assunto deste post foi o grande combustível pra encarar a longa e árdua jornada de tentar me tornar um maratonista. Pra entenderem melhor, é sobre o que me fez agarrar com unhas e dentes a chance de encarar os 42.195m no dia 29/09.

A 2 anos atrás, eu perdi uma das pessoas que mais me deu amor em toda minha vida, e que naturalmente me fez ter admiração e um amor recíproco inigualável. Minha Vó Dolores, foi meu maior suporte na construção de quem eu sou hoje. Deixar de tê-la ao meu lado foi a perda de alguém que conhecia minha essência e sempre me ajudava a entender as coisas da vida. Naquela época, cheguei a escrever um post em homenagem a ela [ link para o post ].

Um dos maiores legados que ela deixou em minha vida foi a paixão pelo esporte. Se hoje sou um viciado em esportes, devo muito a tudo que vivi ao lado da minha vó.

DSCN15801Quando comecei a participar de corridas, a 2,5 anos atrás, ligava pra ela pra contar onde eu e a Juliana (de quem ela era fã!) tínhamos corrido. Ela não entendia muito bem, mas ficava feliz de saber que o neto ainda praticava esportes e principalmente por ver a Juliana encarando os mesmos desafios de um marmanjo como eu. Lembro como se fosse hoje ela dizendo: “Garanto que ela chegou na tua frente!”

Em outubro de 2011, ela não resistiu ao 3º tratamento contra o câncer em menos de 10 anos. Nas últimas conversas que tive com ela, já era perceptível a fraqueza psicológica em enfrentar uma doença fdp como essa. Escutei dela mesmo que não aguentava mais as sessões de quimioterapia, mas aceitou encarar mais uma vez pelo simples amor a vida. Ela não queria morrer, e se emocionava ao perceber que não adiantava querer. Quase sempre desligava o telefone de repente como se não quisesse demonstrar a fraqueza que sentia, mas sempre terminava dizendo um “te amo” que me fazia chorar também.

Em Nova York (março de 2012), na noite anterior a nossa estreia na meia maratona, foi inevitável lembrar dela. Junto com a Jú, lembrei como ela ficaria feliz e orgulhosa de nos ver lá, afinal, foi ela que me ensinou a sonhar grande e principalmente correr atrás dos sonhos sempre acreditando que era possível. Foi a primeira grande conquista na minha vida que não pude compartilhar com ela.

O tempo passou, a corrida tornou-se muito mais que um esporte nas nossas vidas, tornou-se um vício, um estilo de vida, talvez até mais, um estado de espírito quem sabe?!

O que tudo isso tem a ver com minha estreia na maratona? Bem, a muito tempo queria homenagear minha vó em uma corrida, mas tinha que ser algo grande, algo no dia certo…isso mesmo, no dia certo. Para vocês entenderem então: dia 29/09 é a data de nascimento da minha vó, o dia do aniversário dela. E minha homenagem/presente será cruzar pela primeira vez a linha de chegada em uma Maratona pensando nela durante 42km.

Vocês não tem ideia de quantas vezes chorei durante os treinamentos pensando na emoção de poder estar com ela no meu coração e lembrança neste momento marcante da minha vida. Naqueles momentos que a perna cansava durante os treinos longos, as lágrimas se misturavam ao suor e era nela que eu buscava forças para seguir em frente. Visualizei inúmeras vezes a imagem da chegada como o ponto em que eu precisava alcançar por ela, pra ela.

Não quis contar pra ninguém sobre essa coincidência de datas entre a maratona e aniversário da minha vó, muito menos sobre minha intenção de realizar essa homenagem, afinal, eu não sabia se conseguiria chegar até aqui. Nem a Jú sabia disso até essa semana.

Mas calma, a história não acaba por aqui…

DSCN1469No início desse ano, mais uma pessoa que eu amava sucumbiu ao câncer. Minha tinha Regina, irmã do meu pai e única filha mulher da minha vó. Minha relação com ela era de muita confidência e amizade. Era uma fotografa realmente Interminável, como ela mesmo gostava de intitular seus trabalhos. Na última semana da sua vida, tive a oportunidade de conversar com ela, e dessa conversa ficou uma frase, uma lição: “Não adianta querer viver a vida que não há pra se viver, o que devemos fazer é aceitar os caminhos e aproveitar cada instante que ele nos proporciona”.

Desde o início desse desafio, escutei milhares de vezes que uma maratona é uma prova dolorida, que após o km 30 começamos a sentir dores em locais que nem sabemos que existe no nosso corpo. Acredito que tudo isso seja verdade, e no meu caso ainda tenho uma dor causada pela ruptura do menisco medial do JE que já vai incomodar desde a largada. Mas quando lembro todo sofrimento que vi minha vó e minha tinha passarem durante os tratamentos contra o câncer, eu penso: “Dor? Que dor?”

Fica difícil reclamar de dores quando a gente presencia o sofrimento de quem se trata contra o câncer. O que são apenas 42km doendo aqui ou ali, perto de uma pessoa que luta contra células estúpidas que querem lhe tirar a vida? A agonia de quem se submete a uma quimio ou radioterapia tentando sobreviver é muito maior que qualquer dor provocada por uma maratona.

Eu sei que vai doer, sei que meu corpo vai sofrer, mas nessa hora, lembrar que aquilo é passageiro vai me confortar, minha vida não acaba ali. Quem sofre com o câncer não tem essa mesma certeza.

Agora vocês conhecem a história que me motivou enfrentar mais de 420km de treinamentos e ir em busca da linha de chegada dessa maratona, homenagear minha vó Dolores pelo seu aniversário, mas também minha tia e as pessoas que sofrem ou sofreram com essa doença desgraçada chamada câncer.

Minha vó me ensinou que a vida são momentos, e que cada momento é único! Por isso eu não queria deixar essa chance de estrear na maratona em uma data tão especial.

Domingo vou correr minha primeira maratona por todas aquelas pessoas que o câncer me tirou. Elas estarão comigo em cada centímetro dos 42.195m, a cada dor vou lembrar do sofrimento delas, e na chegada…. aaah a chegada….essa vou contar na semana que vem o que eu senti.

Minha primeira maratona será dedicada para Dolores, Regina e contra o câncer.

Vídeo que gravei em 2010 na minha passagem por Chicago e enviei pra minha vó ainda em vida. (Editado em 2011 após sua morte.)

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