sexta-feira, abril 20, 2012

NYC Half ‘12 – Os últimos 11 km’s e a chegada

ny city 143Depois de correr os 10 primeiros km’s dentro do Central Park, entramos na 7th Av. e o visual da corrida mudou radicalmente, as árvores do Central Park deram lugar aos prédios que fazem de Nova York uma verdadeira selva de pedra. O ambiente tranquilo da natureza do maior parque da cidade, dava lugar a avenidas largas e prédios imponentes por todos os lados.

Nossa estratégia de corrida inicial, era corrermos primeira metade da prova juntos, independente do ritmo. Combinamos de utilizar o 10º km como checkpoint para decidir qual o ritmo que cada um seguiria. No caso de nosso ritmo e estado físico estarem muito diferentes, seguiríamos cada um na sua corrida para não prejudicar o outro. Já tínhamos inclusive marcado um ponto de encontro depois da chegada no caso de nos separar, mas não foi necessário.

Olhando no Garmin vi que o ritmo estava abaixo dos 6’30/km, ou seja, estávamos dentro do pace certo para completar a prova dentro do nosso objetivo de 2:30h. Além disso, fazendo aquele pace nem sentimos os 10 km’s iniciais. Bem fisicamente e dentro do tempo previsto, não existiam motivos para não completarmos a prova juntos. Seguimos lado a lado para cruzar Manhattan correndo.

meia fotos 3O percurso seguia 17 quadras na 7th Av. até a rua 42, mas logo depois do terceiro quarteirão já era possível avistar as luzes dos famosos painéis de publicidade da Times Square. Desde o início da 7th Av. bandas de músicas nas calçadas e muitos torcedores nos acompanhavam. As vezes é até difícil manter um pace, de tanta novidade ao redor, se não focar na corrida (e é difícil!) você acaba caminhando pra admirar aquele cenário de filme.

A Times Square é definitivamente o ápice da NYC Half Marathon, um lugar naturalmente repleto de pessoas 24h por dia, onde a torcida faz muito barulho e todos corredores são contaminados pela alegria e orgulho de estar participando da meia de Nova York. A energia e felicidade de todos, torcida e corredores, na passagem por aquele lugar, serve de recarga das baterias e motivação para o restante da prova.

Durante a travessia da Times Square, o corredor se sente uma atração de Nova York. A torcida aplaude e grita como se fossem atletas profissionais e famosos passando por ali, bastava levantar o braço e abanar que o barulho aumentava.

meia fotos 6Passando pelos telões iluminados da Times Square, o percurso virava a direita na rua 42, e partia em direção a margem oeste da ilha de Manhattan. Na metade deste caminho, tinha o posto de hidratação que eram fornecidos os géis de carboidrato. O fato de fornecerem os géis gratuitamente é muito legal e mais um ponto positivo da organização. A parte ruim é o estado que fica o chão ao redor da área de fornecimento. Depois de tomar o gel, todo mundo jogava a embalagem no chão, que ao ser pisoteada espalhava o resto de gel que tinha no seu interior pelo piso, resultado: Um grude só! Parecia que estavámos correndo sobre uma cola.

Seguimos pela rua 42 até a West Side Highway no 13º km, às margens do rio Hudson. Da metade da rua 42 em diante a torcida diminui consideravelmente, e o incentivo fica por conta dos treinadores das equipes, bandas e dj’s. É um momento mais intimista da meia, onde finalmente começamos a levar a corrida mais a sério.

No 15º km, perguntei mais uma vez para a Juliana como ela estava se sentindo, e a resposta me surpreendeu tanto quanto nosso primeiro beijo, disse ela: – “…por mim dá até pra acelarar um pouquinho!”. Já tinhamos corrido 15 km e ela estava “guardando” energia, vê se eu posso!

Na mesma hora respondi pra ela: “- Então pode fazer o ritmo que eu te sigo…”, e lá foi ela acelerando. O ritmo que já estava bom, ficou melhor ainda, passamos a rodar abaixo de 6’00”/km, e no km 17, um ponto considerado crucial nas meias maratonas, passamos com pace de 5’35”, nosso melhor pace da prova. O tempo já não era mais problema, começava a ficar óbvio que chegaríamos antes de 2:30h.

nyc half 018A Juliana nesse momento não conseguia mais falar, estava sentindo o ritmo mais forte, me pediu pra não falar com ela e seguir no mesmo ritmo. Ela se concentrou de tal jeito, que às vezes eu olhava e via ela correndo de olhos fechados, focada na respiração. Eu que não era louco de atrapalhar, fui me divertir com a torcida e atrações ao longo do caminho, e tinha de tudo: staffs e treinadores gritando “good job, good job, you can do it!”, cheerleaders dançando ao som de bandas e até policiais gritando e aplaudindo a passagem dos corredores. Como falei antes, a torcida nesse trecho era menor, mas não deixava de ser empolgante.

A cada apito de 1km do Garmin, a emoção crescendo, o sonho de completar a primeira meia maratona em Nova York, ia se tornando realidade. Ao passar pela cronometragem da prova nos 20km, somente 1.000 metros nos separavam da nossa medalha de finisher e de alcançar um objetivo que nos exigiu muito treino, dedicação e companherismo.

nyc half 017Faltando exatamente 800m para a linha de chegada, entramos no túnel que passa sob o Bryant Park, mais uma surpresa da prova. A gritaria lá dentro era grande e a empolgação de estar chegando ao fim tomava conta de todo mundo que cruzava aquele túnel. Ultrapassamos muita gente nesse trecho final, e vimos muita gente penando pra concluir a prova. Percebi então o quão preparados nós estávamos, valeu muito a pena seguir o treinamento a risca.

Saindo do túnel, já era possível ver a placa de 400m, nada mais poderia nos impedir de concluir nossa primeira meia maratona. Depois de dobrar a esquina na Water St. avistamos a linha de chegada, a emoção era incontrolável. Era de arrepiar a vibração da torcida na chegada.

Os últimos 200 metros, foram de extâse total, algo muito difícil de descrever. Dava vontade de ir bem devagar pra que aquele momento se prolongasse. Faltando poucos metros para o final da meia maratona, peguei na mão da Juliana e lado-a-lado, cruzamos a linha de chegada, completando a meia maratona de Nova York em 2:13:39*, praticamente 16 minutos antes do tempo planejado. Era a primeira meia do Casal 21k chegando ao fim.

Depois de cruzar a linha de chegada, nos abraçamos com a sensação de dever cumprido. A Juliana, estava bastante cansada, chegou ao final no limite segundo ela. Eu me sentia bem, cansado claro, mas em condições de correr mais alguns metros se fosse preciso.

Logo depois daquele abraço e do primeiro beijo como um casal de meio maratonistas, pegamos nossas medalhas de finisher, um “prêmio” que certamente ficará guardado com muito carinho na nossa história. A primeira etapa do Projeto Casal 21k estava concluída.

meia fotos 2

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Resultado Oficial:

Juliana (F33)

Tempo: 2:13:39

Posição Geral: 11.431º de 15.344

Posição no Feminino: 5.108º de 7.883

Posição na Categoria F30-34: 1.168º de 1.757

 

Guilherme (M33)

Tempo: 2:13:40

Posição Geral: 11.435º de 15344

Posição no Masculino: 6.324º de 7.461

Posição na Categoria M30-34: 1.274º de 1.442

Link para os resultados oficiais: CLIQUE AQUI

Registro do Garmin:

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